Sensação de missão cumprida, mas falta alguma coisa. Um desfecho. Estou sofrendo, bem verdade, sofro como qualquer ser humano sofre ao saber que somente ama, e sem contrapartidas. Ao saber que não sabe amar! Que acreditou em palavras vãs durante um bom tempo, e que possui um sentimento fincado em nada, senão no vento, no tempo / espaço.
Durante alguns poucos anos me dediquei a uma vida dividida que não era compartilhada, pois só eu entregava e não recebia nada em troca além de críticas, brigas, confusões, acusações. Hoje acordei com meu coração murcho. Cansado, querendo fazer tão apenas o trabalho dele, de bombear sangue e acabou. E é assim que meu corpo se sente: cansado, como quem segue aquele lema de "missão dada é missão cumprida", não importa o desfecho da mesma.
Minha vontade hoje era bem piegas, só aquela de ir pra bem longe e ver coisas tão lindas que me fizessem esquecer tudo que passei. E ter outras lembranças que tornassem as minhas de hoje menos dolorosas, e não chorar mais, acima de tudo. Porque o que está feito, está feito e me orgulho, porque fui eu quem fiz, ainda dando a intenção ao outro lado de que está tudo bem, não estando. Quer dizer, está tudo bem, eu estou bem, eu estou acima de tudo orgulhosa de mim mesma, orgulhosa em saber que aquela coisa incondicional, indesatável, era mais um capricho meu do que uma verdade verdadeira. E aí, é como se desentranhasse da parede da minha alma, se deslocasse, esse peso, e me deixasse mais leve, embora não tão feliz como gostaria mas felizmente, mais leve. É a receita do tempo, que cura e que apaga todas as coisas. No fundo eu sabia que seria desse jeito assim, classudo, social, civilizado, com pinceladas de lágrimas e uma pitada de dor, mas sem aquele desespero, aquela ânsia, que estraga tudo.
Mas, que desfecho dar? Devo continuar, esperando que dessa vez seja pelo menos mais sincero, mais claro, mais leve; ou devo seguir meu caminho, voltar aos meus planos brilhantes, mirabolantes e a minha autosuficiente solidão? Estou em dúvidas, porque eu não gostaria de estar mais sozinha, talvez porque tenha estado durante tanto tempo e até hoje estou, uma sozinha bem acompanhada.
Um livro começa a ser escrito a partir de uma pergunta, penso eu. Um "porquê", um questionamento interno, uma dúvida, que o escritor se aproveita dela, tece uma narrativa e cria pra si o final ideal. A vida como gostaria que ela fosse, não como ela é. Felizes os escritores, disso eu sempre soube, possuem um mundo só deles e sabem, acima de tudo, amar, amar o amor somente, podendo ele ser uma pessoa, um bicho ou uma garrafa de uísque... "Porquês" eu já tenho aos montes, talento eu já não garanto tanto, mas posso me aventurar em meu mundo e criar meus finais... Será?
7.1.11
13.12.10
É hora.
Em meio de um esplendor de lembranças boas e de lama da realidade, é chegada a hora da transformação, da mutação, o despertar da coragem mesmo em meio a tanto gelo. É hora de traduzir-se e aceitar a verdade já aceita, é hora da bravura tomar conta e fazer a fama, como já dantes feito. É hora de interagir com os erros, quem sabe errar de novo, quem sabe glorificar-se, é hora de se amar. É hora de se aceitar, de voltar a ser quem é, de jogar fora a atuação, é hora de falar o coração, dar vida a emoção.
É hora de parar de sonhar, de idealizar, de pensar.
Somente impetuosamente, irracionalmente, ser.
É hora de despertar o leão.
É hora de parar de sonhar, de idealizar, de pensar.
Somente impetuosamente, irracionalmente, ser.
É hora de despertar o leão.
20.11.10
Memórias em dó maior.
Sabadaço. Eu e minha gata, ela ainda melhor que eu, porque está dormindo e eu não possuo planos recentes para isso. Namorado viajando, a uma hora dessas em coma alcoólico, mas nem estou ligando muito. Juro ter querido entrar numa sala de bate papo, mas só de ver aquelas criaturas medindo o tamanho do pau, me tirou todo o tesão. Não que eu quisesse nada, não posso nem pensar em ousadia, porque estou tratando uma crise de candidíase (calma, sou limpinha, eu tenho problema metabólico, quando estou com a imunidade baixa essas coisas aparecem). Ou seja, tou na merda total. Deprê. Quando eu ia entrar no orkut da minha gata, lembrei que eu tinha feito aquele email para alguma traquinagem, e voilá! quão doce surpresa me pôs um sorriso na cara, mesmo depois de tantos desmaios hoje... E que me prova mais do que nunca que preciso de uma transfusão de juízo.
Há 3 anos atrás, me apaixonei perdidamente por um homem. Mais velho, muito mais velho.
Pensava neste homem dia e noite e vice versa. Doentio. Imaginava que ele largaria a esposa (se tivesse, até hoje eu não sei) por minha causa. Que tocaria violão pelado para mim. Que era tão doido por mim (até hoje acho que ele teve lá suas quedinhas, kkk) quanto eu era (oi?) por ele. Juro a você, querido leitor, que só ia pra faculdade na expectativa de vê-lo, gastava dinheiros vários com almoço podendo comer em casa. Só, somente só, para vê-lo.
Mas qual é o propósito dessa verborréia toda? Lembrei do motivo para ter feito o email fake. Para mandar um email para ele, vide eu não suportar mais a pressão daquela paixonite. E fiz. A senha do email é o nome dele, e o login leva Eurídice, a mulher de orfeu, deus da música, nada mais apropriado, afinal a ocasião necessitava uma generosa dosagem de lirismo. Resumindo, mandei. E foram dois:
19/11/2007
Minueto...
..ou de repente... um 'allegro'... quem sabe um 'requiem'... mas é simples como um minueto mesmo. Nem sei o que estou falando direito, não entendo de música erudita tanto quanto pessoalmente admiro, nem estou tentando impressionar (que paradoxo seria tentar impressionar com algo que não se sabe bem...), mas, direto ao ponto. Simples, como um minueto...
Olá, L. ...
...até hoje encontro-me hipnotizada pelos seus olhos. Não só por eles, mas pelo conjunto do olhar. Estive ao alcance do fitar deles dias atrás, e até hoje estou hipnotizada. Acho que é só.
Eu precisava encontrar um meio de te dizer isso. Infelizmente, só encontrei o seu email institucional... enfim.
Resposta? Não, óbvio. Mandei, louca, pro email institucional, pro email de trabalho... Além de ser 30 anos mais velho, poderia me doar um pouquinho de juízo. Mas claro, leonina que sou, não desisto até tomar uma pelo meio da fuça. Então, pois, mandei outro que, advinha, também nao obtive resposta. Não entendo como essas palavras conseguem brotar em mim, a única coisa que posso dizer com certeza é que não lembrava de nada que estava escrito nessas mensagens. A que vem a seguir me emocionou; só a pessoa sendo um bloco de gesso para não procurar saber quem foi a louca apaixonada que escreveu tão doces palavras... ok, não há espaço para vaidade agora...
18/12/2007
Nesse fim de ano, gostaria apenas de felicitar-lhe, de te desejar tudo de belo.
é apenas mais um ano que se finda, para mim o primeiro de tantos em que me lembrarei sempre que soarem as doze badaladas do brilho de um certo olhar que encontrei para mim em um novembro qualquer. E ao qual ponho-me, e sempre, a contemplar apenas, e com resignada distância... Não quero que o encanto se perca. Foi um prazer encontrar (e reencontrar) você.
Saúde e paz, ademais, corremos atrás.
Saudações,
E.
Emocionante. Repararm o detalhe da assinatura? E., de Eurídice. Juro que me emocionei quando li, eu tinha perdido até a noção do quanto eu era apaixonada por ele. Os olhos dele, negros, da cor do seu cabelo, contrastando com a pele branca, não que eu goste de homem branquelo, mas ele parece um boneco. Ai como eu queria (oi?) ele para mim. Jurava que ia fazer dele o homem mais feliz do mundo.
O tempo foi passando e fomos nos encontrando com mais frequência pelos corredores da faculdade, trocávamos algumas palavras, sentia sempre que ele estava um tanto sem graça perto de mim, ficava vermelhinho... e eu, mais sem graça ainda, porque era totalmente apaixonada, mas dados os fatos, precisava sim me resignar. Talvez eu quisesse viver alguma aventura diferente também, emocionante, platônica, não sei. Sei que hoje eu estou em uma relação estável, mas só de lembrar da alegria que eu sentia em saber que ele existia ou poderia estar por perto, me dá vontade de girar o disco ao contrário e, quem sabe talvez, ter aproveitado melhor alguma oportunidade de abertura, de diálogo, de me confessar. Porque essa aventura era certa, no meu coração e na cabeça de pessoas que puderam vivenciar comigo essa situação.
Até hoje ainda fico pensando se ele lembra de mim, se ele realmente sentiu alguma coisa ou se sentia somente que eu realmente era apaixonada por ele. Posso ter passado isso, mas duvido muito. As minhas amigas sabem que eu consigo guardar paixões como numa caixa de pandora, coisas que eu tenho certeza que morrerão comigo. Bom, tenho que confessar que, embora eu esteja em outra fase da minha vida, ainda tenho o coração aberto, porque penso que a paixão que se sente na hora é melhor do que aquela que contruímos com o tempo, que edificamos; também por eu ser um ser humano que vive no limite da razão ou, arrisco dizer, muitas vezes além dele. Por isso, ao tempo que faço contas para o aluguel e penso num trabalho melhor pra poder constituir minha família, a que eu construí, momentos como esse que eu vivo agora, de introspecção e total afinidade entre meu corpo e minha alma, lembrar daqueles olhos negros brilhando, procurando os meus em uma platéia com bem mais que 100 pessoas, me fazem lembrar que a vida pode valer a pena. E se dizem que o amor nunca morre, pois é, eu ainda estou aqui, me sentindo melhor numa noite solitária de sábado, com o meu olhar fixo numa lembrança em meu pensamento. Ele, minha lembrança, a mais doce das lembranças. Foi uma época maravilhosa, disso tenho certeza.
" - Oi.
- Oi...
- Como você chama?
- Marta...
- (risos)
- Você é da Facom, não é?
- Sou...
- hmmmm...
- Prazer, Marta. Me chamo L.
- Prazer, L. Agora já nos conhecemos.
(...)"
Dedicado a Leo, a nossos sussurros e a nossos contatos epidérmicos, todos sempre passeando pelos meus sonhos...
Há 3 anos atrás, me apaixonei perdidamente por um homem. Mais velho, muito mais velho.
Pensava neste homem dia e noite e vice versa. Doentio. Imaginava que ele largaria a esposa (se tivesse, até hoje eu não sei) por minha causa. Que tocaria violão pelado para mim. Que era tão doido por mim (até hoje acho que ele teve lá suas quedinhas, kkk) quanto eu era (oi?) por ele. Juro a você, querido leitor, que só ia pra faculdade na expectativa de vê-lo, gastava dinheiros vários com almoço podendo comer em casa. Só, somente só, para vê-lo.
Mas qual é o propósito dessa verborréia toda? Lembrei do motivo para ter feito o email fake. Para mandar um email para ele, vide eu não suportar mais a pressão daquela paixonite. E fiz. A senha do email é o nome dele, e o login leva Eurídice, a mulher de orfeu, deus da música, nada mais apropriado, afinal a ocasião necessitava uma generosa dosagem de lirismo. Resumindo, mandei. E foram dois:
19/11/2007
Minueto...
..ou de repente... um 'allegro'... quem sabe um 'requiem'... mas é simples como um minueto mesmo. Nem sei o que estou falando direito, não entendo de música erudita tanto quanto pessoalmente admiro, nem estou tentando impressionar (que paradoxo seria tentar impressionar com algo que não se sabe bem...), mas, direto ao ponto. Simples, como um minueto...
Olá, L. ...
...até hoje encontro-me hipnotizada pelos seus olhos. Não só por eles, mas pelo conjunto do olhar. Estive ao alcance do fitar deles dias atrás, e até hoje estou hipnotizada. Acho que é só.
Eu precisava encontrar um meio de te dizer isso. Infelizmente, só encontrei o seu email institucional... enfim.
Resposta? Não, óbvio. Mandei, louca, pro email institucional, pro email de trabalho... Além de ser 30 anos mais velho, poderia me doar um pouquinho de juízo. Mas claro, leonina que sou, não desisto até tomar uma pelo meio da fuça. Então, pois, mandei outro que, advinha, também nao obtive resposta. Não entendo como essas palavras conseguem brotar em mim, a única coisa que posso dizer com certeza é que não lembrava de nada que estava escrito nessas mensagens. A que vem a seguir me emocionou; só a pessoa sendo um bloco de gesso para não procurar saber quem foi a louca apaixonada que escreveu tão doces palavras... ok, não há espaço para vaidade agora...
18/12/2007
Nesse fim de ano, gostaria apenas de felicitar-lhe, de te desejar tudo de belo.
é apenas mais um ano que se finda, para mim o primeiro de tantos em que me lembrarei sempre que soarem as doze badaladas do brilho de um certo olhar que encontrei para mim em um novembro qualquer. E ao qual ponho-me, e sempre, a contemplar apenas, e com resignada distância... Não quero que o encanto se perca. Foi um prazer encontrar (e reencontrar) você.
Saúde e paz, ademais, corremos atrás.
Saudações,
E.
Emocionante. Repararm o detalhe da assinatura? E., de Eurídice. Juro que me emocionei quando li, eu tinha perdido até a noção do quanto eu era apaixonada por ele. Os olhos dele, negros, da cor do seu cabelo, contrastando com a pele branca, não que eu goste de homem branquelo, mas ele parece um boneco. Ai como eu queria (oi?) ele para mim. Jurava que ia fazer dele o homem mais feliz do mundo.
O tempo foi passando e fomos nos encontrando com mais frequência pelos corredores da faculdade, trocávamos algumas palavras, sentia sempre que ele estava um tanto sem graça perto de mim, ficava vermelhinho... e eu, mais sem graça ainda, porque era totalmente apaixonada, mas dados os fatos, precisava sim me resignar. Talvez eu quisesse viver alguma aventura diferente também, emocionante, platônica, não sei. Sei que hoje eu estou em uma relação estável, mas só de lembrar da alegria que eu sentia em saber que ele existia ou poderia estar por perto, me dá vontade de girar o disco ao contrário e, quem sabe talvez, ter aproveitado melhor alguma oportunidade de abertura, de diálogo, de me confessar. Porque essa aventura era certa, no meu coração e na cabeça de pessoas que puderam vivenciar comigo essa situação.
Até hoje ainda fico pensando se ele lembra de mim, se ele realmente sentiu alguma coisa ou se sentia somente que eu realmente era apaixonada por ele. Posso ter passado isso, mas duvido muito. As minhas amigas sabem que eu consigo guardar paixões como numa caixa de pandora, coisas que eu tenho certeza que morrerão comigo. Bom, tenho que confessar que, embora eu esteja em outra fase da minha vida, ainda tenho o coração aberto, porque penso que a paixão que se sente na hora é melhor do que aquela que contruímos com o tempo, que edificamos; também por eu ser um ser humano que vive no limite da razão ou, arrisco dizer, muitas vezes além dele. Por isso, ao tempo que faço contas para o aluguel e penso num trabalho melhor pra poder constituir minha família, a que eu construí, momentos como esse que eu vivo agora, de introspecção e total afinidade entre meu corpo e minha alma, lembrar daqueles olhos negros brilhando, procurando os meus em uma platéia com bem mais que 100 pessoas, me fazem lembrar que a vida pode valer a pena. E se dizem que o amor nunca morre, pois é, eu ainda estou aqui, me sentindo melhor numa noite solitária de sábado, com o meu olhar fixo numa lembrança em meu pensamento. Ele, minha lembrança, a mais doce das lembranças. Foi uma época maravilhosa, disso tenho certeza.
" - Oi.
- Oi...
- Como você chama?
- Marta...
- (risos)
- Você é da Facom, não é?
- Sou...
- hmmmm...
- Prazer, Marta. Me chamo L.
- Prazer, L. Agora já nos conhecemos.
(...)"
Dedicado a Leo, a nossos sussurros e a nossos contatos epidérmicos, todos sempre passeando pelos meus sonhos...
29.7.10
Uma carta.
Eu juro que não queria fazer isso. Eu queria seguir seu conselho e não te procurar mais. Mas eu não consigo, não reconhecendo que o erro foi meu, não, essa não sou eu.
Na verdade, o lance é bem simples. Eu não estou esperando que você me procure, sinceramente, imagino a raiva que você está sentindo de mim. Nem estou aqui pra pedir “por favor, volte”, não, também não. Eu só quero que na minha passagem eu tenha pelo menos paz de espírito, afinal, é mais um ano de vida que completo. E paz é a única coisa que não consigo ter agora.
Não estou afim de desabafar, explicar, ou me desabar em lágrimas e promessas como das outras vezes. O que aconteceu, aconteceu, “o que passou, calou”, como você costuma me dizer sempre que acontece esse tipo de coisa. Para você é fácil depurar, pois está com raiva; Mas eu estou angustiada, e essa angústia está atrapalhando alguns processos em minha saúde, como insônia, taquicardia, vômitos e a menstruação que não desce há 3 dias. Também não estou pedindo para que você se preocupe comigo, eu só estou obedecendo um instinto meu de defesa, e querer estar a par da situação não é de todo ruim, não acho que seja. Só peço que você seja verdadeiro conosco, e isso eu não te peço como namorada, ou como alguém que te ama, mas apenas como ser humano.
Lembro que você me pediu para ter dignidade. Essa é a forma que eu sei ser digna e mostrar meu amor próprio. Se eu disser que vai ficar tudo ótimo sem ter você nesse momento, eu estarei mentindo amargamente e para mim mesma. Não por causa de festa nem de presentes, nós dois sabemos que meu desânimo para qualquer comemoração não vem de agora. Só queria que você me dissesse se irá ficar tudo bem, se não vai. Respeitarei o seu tempo, isso está óbvio.
Seu livro está aqui, no mesmo lugar que deixei. A cabeça quente não deixou que eu o visse. E o HD foi sem o cabo, que está aqui também. Também estão suas duas calças sociais e as gravatas, além da camisa azul. Se precisar de algum desses para amanhã, posso levar sem problemas aí em sua casa. Ou você pode vir buscar, tanto faz.
Continuo, inexplicavelmente, te querendo como da primeira vez que te vi.
Att.,
M.
17.7.10
Oh, Insensato Coração!
Tenho andado sumida e um tanto confusa. Um decorrente do outro, inclusive.
A minha confusão tem gerado reações somáticas de cunho angustiante. Não durmo, não faço nada. Digo, faço sim. Trabalho para esquecer. Sempre olhando para os lados.
Daria alguns dólares para imaginar o que se passa em meu coração. No mesmo momento que treme de amor, ronca de ódio e pede mudanças. Mas basta uma única lembrança boa, ou um gesto de ternura em meio à fuligem que ele volta a bater compassado em lento, calmo, o que os românticos chamam de "coração de quem ama". Mas o corpo pede bis daquela adrenalina de quem inicia uma linda e inesquecível (nova) história.
Lidar com as pessoas, na verdade, não deveria significar necessariamente lidar com os problemas das pessoas. Você pede antes de dormir durante anos o devir de um sonho, o sonho de ter alguém que se cuide e ser cuidado. Só que esse alguém, como um filho ou um cachorro, não vem com certificado de Garantia na testa, então... não há garantia nenhuma, somente o sonho. Não mais que de repente, o indivíduo se enxerga engolindo todos os sapos do Universo em nome do tão sonhado, invejado e, literalmente, caçado, amor. E um belo dia se vê cansado de guerra, quando olha para o lado e o que passaria despercebido de repente se torna interessante. É como um sinal Divino dizendo que é melhor rever, porque não vai tudo tão bem assim.
Estou passando por essa fase, uma fase onde a razão e a emoção se misturam como água e suco em pó. Percebe-se a artificialidade, mas é doce a impressão de transgredir e trocar a maçã por um saquinho colorido. E existe sempre os grãozinhos no fundo do copo para não fazer esquecer que é artificial. Que é uma fase, talvez, porque não há quem abra mão de um sentimento, salvo quando ele não mais existe, o que não é raro e não é o caso, caso contrário, não vacilaria nem angustiaria tanto minha alma por uma tentação, simplesmente me deixaria levar na leviandade.
Pode ser a aurora de um novo tempo. Ou, como diz o poeta, "porque de amor, para entender, é preciso amar". E nessa matéria sinto que não completei ainda nem o fundamental.
(Na verdade, o título deveria ser uma alusão a outra música imortalizada na voz de Gal que diz "Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim").
A minha confusão tem gerado reações somáticas de cunho angustiante. Não durmo, não faço nada. Digo, faço sim. Trabalho para esquecer. Sempre olhando para os lados.
Daria alguns dólares para imaginar o que se passa em meu coração. No mesmo momento que treme de amor, ronca de ódio e pede mudanças. Mas basta uma única lembrança boa, ou um gesto de ternura em meio à fuligem que ele volta a bater compassado em lento, calmo, o que os românticos chamam de "coração de quem ama". Mas o corpo pede bis daquela adrenalina de quem inicia uma linda e inesquecível (nova) história.
Lidar com as pessoas, na verdade, não deveria significar necessariamente lidar com os problemas das pessoas. Você pede antes de dormir durante anos o devir de um sonho, o sonho de ter alguém que se cuide e ser cuidado. Só que esse alguém, como um filho ou um cachorro, não vem com certificado de Garantia na testa, então... não há garantia nenhuma, somente o sonho. Não mais que de repente, o indivíduo se enxerga engolindo todos os sapos do Universo em nome do tão sonhado, invejado e, literalmente, caçado, amor. E um belo dia se vê cansado de guerra, quando olha para o lado e o que passaria despercebido de repente se torna interessante. É como um sinal Divino dizendo que é melhor rever, porque não vai tudo tão bem assim.
Estou passando por essa fase, uma fase onde a razão e a emoção se misturam como água e suco em pó. Percebe-se a artificialidade, mas é doce a impressão de transgredir e trocar a maçã por um saquinho colorido. E existe sempre os grãozinhos no fundo do copo para não fazer esquecer que é artificial. Que é uma fase, talvez, porque não há quem abra mão de um sentimento, salvo quando ele não mais existe, o que não é raro e não é o caso, caso contrário, não vacilaria nem angustiaria tanto minha alma por uma tentação, simplesmente me deixaria levar na leviandade.
Pode ser a aurora de um novo tempo. Ou, como diz o poeta, "porque de amor, para entender, é preciso amar". E nessa matéria sinto que não completei ainda nem o fundamental.
(Na verdade, o título deveria ser uma alusão a outra música imortalizada na voz de Gal que diz "Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim").
9.2.10
A gentil arte da desistência
Normalmente, quando fazemos as nossas preces, pedimos força. Força para ir em frente, força para superar obstáculos, alcançar objetivos.
Hoje eu me peguei rezando para obter forças para desistir.
Paradoxo? O que eu quis dizer, principalmente para mim mesma, é que não é hora de ser forte. Calma, isso não é mais um instinto suicida ou tem a ver com se fazer ausente. Digo, desistir de algo que já não te acrescenta mais em nada, senão na dor, na preocupação, na inquietude, mas que já é tão seu que é difícil abrir mão. Como aquela calça jeans surrada da Lee que não te serve mais como servia há 10 anos atrás, mas você insiste em tê-la no guarda-roupa ou pior, no couro. Como um pote de sorvete Kibon que você insiste em guardar mesmo tendo 65456 iguais a ele e que você não usa.
Dar murros em ponta de faca não é uma sensação muito agradável. Fazer com que o andamento das situações compreenda sem muita força o que se sente no momento, também não. Há quem diga que não se deve interferir na fluência, no vai e vem do mundo, mas se essa teoria estiver correta, não há necessidade de se viver cercado de pessoas e ideais e crenças e algo mais que valha. Mostrar o que é importante, mostrar o que acontece, como se sente, o curso da vida, os sentimentos - seja quais forem, é intrinsecamente humano e talvez por isso, um tanto necessário. E dito isso, eu entro no ponto que eu queria.
Vou desistir porque cansei de esperar que tudo mude por eu achar estar sempre fazendo as coisas certas, as escolhas certas, por mais que fatores externos tentem me dissuadir dos meus objetivos. Na verdade, quero desistir dos fatores externos que tentam me dissuadir. Fazendo um retrospecto, na época em que eu estava na míngua, eu era bem mais produtiva, intelectualmente falando. Eu tinha até as unhas mais bem feitas que hoje, embora estivesse mais de 2 dúzias de quilos mais gorda. E eu que achava que aquela era a época mais desgraçada da minha vida, hoje, cercada de tudo e de todos, começo a duvidar disso.
Vou desistir porque gasto tempo, afeto, dedicação e nada do que é explicitamente certo em uma visão generalizada, insiste em dar certo para mim. Não gosto de aguentar nem dor de cabeça. Estou tomando anticoncepcional para suspender a minha menstruação até passar o carnaval, porque só de pensar na combinação xixi+banheiro público, sinto náusea. Detesto sofrer, seja uma decepção, ou uma dor de barriga. Me entupo de remédio para fazer passar. Ou seja, não sou masoquista, detesto sofrimento, privação de prazer. Mas, sem saber por quê nem como, estou nessa. Então, eu desisto.
São 2 da manhã, e eu insisto em não parar de chorar. É claro, há muita coisa errada. E se eu pudesse dar um nome a essa coisa errada, aqui, eu juro, desistiria na frente de todos. Mas, desistir é uma ciência, e eu peço paciência e força. Apesar de ser uma palavra um tanto pesada e cheia de sobrecarga emocional, às vezes, desistir é preciso tanto quanto viver. E embora eu diga que eu preciso de fraqueza, acho que a desistência é uma tarefa que exige muita força. Vou continuar rezando, enquanto não contrario meu ego. Porque fraqueza seria voltar atrás. De novo.
Hoje eu me peguei rezando para obter forças para desistir.
Paradoxo? O que eu quis dizer, principalmente para mim mesma, é que não é hora de ser forte. Calma, isso não é mais um instinto suicida ou tem a ver com se fazer ausente. Digo, desistir de algo que já não te acrescenta mais em nada, senão na dor, na preocupação, na inquietude, mas que já é tão seu que é difícil abrir mão. Como aquela calça jeans surrada da Lee que não te serve mais como servia há 10 anos atrás, mas você insiste em tê-la no guarda-roupa ou pior, no couro. Como um pote de sorvete Kibon que você insiste em guardar mesmo tendo 65456 iguais a ele e que você não usa.
Dar murros em ponta de faca não é uma sensação muito agradável. Fazer com que o andamento das situações compreenda sem muita força o que se sente no momento, também não. Há quem diga que não se deve interferir na fluência, no vai e vem do mundo, mas se essa teoria estiver correta, não há necessidade de se viver cercado de pessoas e ideais e crenças e algo mais que valha. Mostrar o que é importante, mostrar o que acontece, como se sente, o curso da vida, os sentimentos - seja quais forem, é intrinsecamente humano e talvez por isso, um tanto necessário. E dito isso, eu entro no ponto que eu queria.
Vou desistir porque cansei de esperar que tudo mude por eu achar estar sempre fazendo as coisas certas, as escolhas certas, por mais que fatores externos tentem me dissuadir dos meus objetivos. Na verdade, quero desistir dos fatores externos que tentam me dissuadir. Fazendo um retrospecto, na época em que eu estava na míngua, eu era bem mais produtiva, intelectualmente falando. Eu tinha até as unhas mais bem feitas que hoje, embora estivesse mais de 2 dúzias de quilos mais gorda. E eu que achava que aquela era a época mais desgraçada da minha vida, hoje, cercada de tudo e de todos, começo a duvidar disso.
Vou desistir porque gasto tempo, afeto, dedicação e nada do que é explicitamente certo em uma visão generalizada, insiste em dar certo para mim. Não gosto de aguentar nem dor de cabeça. Estou tomando anticoncepcional para suspender a minha menstruação até passar o carnaval, porque só de pensar na combinação xixi+banheiro público, sinto náusea. Detesto sofrer, seja uma decepção, ou uma dor de barriga. Me entupo de remédio para fazer passar. Ou seja, não sou masoquista, detesto sofrimento, privação de prazer. Mas, sem saber por quê nem como, estou nessa. Então, eu desisto.
São 2 da manhã, e eu insisto em não parar de chorar. É claro, há muita coisa errada. E se eu pudesse dar um nome a essa coisa errada, aqui, eu juro, desistiria na frente de todos. Mas, desistir é uma ciência, e eu peço paciência e força. Apesar de ser uma palavra um tanto pesada e cheia de sobrecarga emocional, às vezes, desistir é preciso tanto quanto viver. E embora eu diga que eu preciso de fraqueza, acho que a desistência é uma tarefa que exige muita força. Vou continuar rezando, enquanto não contrario meu ego. Porque fraqueza seria voltar atrás. De novo.
28.1.10
Por novas teorias.
Simplesmente por não saber como agir ou o que pensar, justamente por não mais poder prever nem prevenir o amanhã. Novas teorias para que eu possa novamente simplesmente mesmo em meio à minha tristeza sem fim saber que existe a possibilidade do dia acabar normal do mesmo jeito que começou, e não com esse gosto de dúvida. Novas teorias que me façam compreender o valor que tenho e o valor que você tem. Que me faça compreender o porquê de tudo isso. Que me façam compreender o que foi que eu fiz. Que me façam compreender a nossa culpa. Que, dentre outras coisas, me façam compreender finalmente que daqui pra frente nada mais será do jeito que eu quis ou imaginei, mas que é do jeito que deve ser. Que me façam compreender o silêncio e as milhões de coisas que são ditas nele. Como eu odeio o silêncio, e como eu nunca mais eu deixarei que ele me interpele. Outras teorias que venham a me convencer de que não é tarde demais. E que me convençam de que dias melhores virão. E que me convençam de que minha angústia não é para sempre. E que me convençam de que sua dor passará. E que me convençam de que as madrugadas voltarão a ser pequenas para nós dois, e que nunca mais faltarão palavras. Novas teorias que sejam capazes de me provar que você pode fazer sim de mim uma pessoa melhor. Ou que você já fez de mim uma pessoa melhor pelo simples fato de estar presente de alguma forma dentro de mim. Teorias que te convençam de tudo isso que quero que me convençam e de muito mais, muito mais mesmo. Que me convençam, mesmo que eu tenha certeza plena e absoluta, de que é para sempre.
Para T., sou muito grata pela felicidade que me proporcionou e proporciona até hoje.
Texto de 28/05/2007
Para T., sou muito grata pela felicidade que me proporcionou e proporciona até hoje.
Texto de 28/05/2007
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